Que a televisão brasileira tem poucas coisas boas hoje isto é inegável, mas em matéria de porcaria os programas “rotulados de evangélicos” dão um banho em qualquer outra programação. Pouquíssimos se salvam desta sujeira religiosa. A depravação da fé é um absurdo sem precedentes na história do cristianismo, com a comercialização sendo feita sem escrúpulos a qualquer hora do dia ou da noite, onde os produtos pirateados do inferno dominam as prateleiras da ganância religiosa. Ao invés de recomendarem a leitura “racional da Bíblia” os picaretas inventam suas teologias pífias e heréticas e querem empurrar para cima do povo a qualquer custo; fazem pacotes promocionais que só enganam os incautos já que tais descontos são apenas fantasias e estratégias de marketing; ofertas(?) com descontos nunca vistos e vai por ai afora. Para a Bíblia inventaram várias versões entre elas a “Bíblia de Batalha Espiritual e Vitória Financeira”! São absurdos descabidos para alguém que afirma ter alguma relação com o cristianismo.
O “Pastor”, o “Bispo”, o “Apóstolo”, o “Missionário”, todos fazem ginásticas psicológicas que alienam os telespectadores. Foi Jesus quem mandou tem que pagar em dia, do contrário tá no inferno aquele que negar. E pague logo porque vale à pena, é prosperidade garantida. É muito triste contemplar a cena desses lobos roubando a multidão, trapaceiros pastoreando não a alma, mas o bolso de povão, falsos profetas no meio da massa onde no comércio da fé Jesus não passa de um produto vendido à prestação.
O primeiro camarada da IIGD – Igreja Internacional da Graça de Deus – um picareta a serviço do inimigo que usa o nome artístico, Romildo Rodrigues Soares, vulgo R.R. Soares, vem com o “SHOW DA FÉ”, prá mim “SHOW DA MÁ FÉ”, nome sugestivo para programas perpetrados e idealizados pelo Diabo, não para qualquer coisa ligada à religião. A fé não dá “show” ou “espetáculo”, dá “TESTEMUNHO”, é isto mesmo meu irmão. Show é com satanás, no entanto tem muita gente embarcando nesta canoa furada pensando que está agradando a Deus. Coitados, não enxergam, por causa da miopia espiritual, que estão sendo lesados no bolso e na fé. Os homens exploradores e aproveitadores, transvestidos de “servos de Deus” aproveitando a frustração do povo, o sofrimento e a desgraça alheia inventam nomes para venderem de tudo. No “Show da Má-Fé”, um programa de qualidade duvidosa em todos os sentidos, o que se ouve é: ajude o “missionário(?)”, compre o CD, compre e leia o Livro da Prosperidade, Passe o Dinheiro ou Deposite em uma das agências do Bradesco… Mal sabem os que consomem estes produtos que apenas estão sustentado as “mordomias” dos piratas religiosos que encontraram na religião uma forma fácil de enriquecerem. Só lembrando, nenhum servo de Deus no passado participou de trapaças desta natureza ou jamais fizeram da fé um show para atrair multidões.
Gostaria muito que alguém entendido nas “Escrituras” me mostrasse na “Bíblia” onde encontramos as palavras “SHOW”, “ESPETÁCULO” e “SUCESSO”, assim eu poderei mudar os meus conceitos sobre estes artistas de picadeiro que fizeram da igreja um grande circo onde os palhaços ficam, não no palco, mas na platéia, sendo enganados e iludidos pelas falsas promessas dos donos da companhia de espetáculos. São os “SUPER HOMENS”, heróis dos desesperados que não medem esforços para alcançar o bolso do povão, e para isto vale qualquer coisa. Não são mais “Três Mosqueteiros”, mas milhares espalhados pelo Brasil afora.
Tem um segundo sujeito da IMPD – Igreja Mundial do Poder de Deus – que vive do suor, melhor, de curar usando o poder da sua sudorese. Ali a falta de higiene é total isto sem falar na falta de educação e na grosseria do camarada. O tal “Apóstolo Valdomiro Santiago” é uma vergonha, um desrespeito aos ensinos de Jesus que, aliás, é usado vergonhosamente para fundamentar as suas artes teatrais. A encenação é ridícula digna dos piores programas de humor da televisão. O mais triste é notar que a multidão gosta e até aplaude o tal Apóstolo(?) pelas suas artimanhas e pelas suas curas de dor de barriga, de dor de cabeça, dor de coluna, dor de perna… Cegueira, mudez, ressurreição de defunto, paralítico atrofiado, deficiência mental, isto nem pensar! O forte dele é orar no monte com um monte de iludidos.
Tem muito dinheiro sendo jogado fora, nas fossas da religião moderna, são milhões em dinheiro que poderiam ser racionalmente investidos na verdadeira pregação do Evangelho. A podridão religiosa exala um odor fétidico; a estrada da fé esta pavimentada pelos cadáveres evangélicos e os abutres proféticos aguardam apenas o momento para atacarem uma vez que vivem e alimentam da carniça espiritual do povo. Os “mágicos cristãos”, para mim “charlatões”, a cada dia surgem com novidade nos seus números de acrobacias religiosas na esperteza de convencer o publico de suas habilidades ilusionistas, deixando a platéia, muitas vezes espantadas, com a capacidade de suas trapaças.
Os Bispos da IURD – Universal do Reino do Edir Macedo – não poderiam ficar de fora, ali a coisa é brava, naquele terreiro o Diabo deita e rola. O “Descarrego” é o carro chefe e atrás vem “Óleo Benzido”, a “Rosa Consagrada”, o “Nó na Camisa Preta”, Copo com Água do Rio Tietê e mais uma infinidade de picaretagem para ludibriar o povo. O pior é que o povo gosta e vive de ilusões, principalmente em se tratando de fé!
Tem muito crente frouxo cedendo às artimanhas malignas destes heréticos achando tudo muito natural, pois pensam estar agindo em nome de Deus. É uma vergonha ver pessoas contribuindo com até o que não podem para sustentar as mordomias e as mentiras pregadas por estes camaradas. Mal sabem que estes pregoeiros estão sim a serviço de suas “EMPRESAS” religiosas e de seus negócios pessoais. No mercado da fé os olhos estão voltados para os empreendimentos humanos regados a mordomias e a lucros exorbitantes às custas do sofrimento e da desgraça alheia. Só não vê quem não quer!
A religião chegou ao fundo do poço apoiada, por um povo vazio na vida espiritual que acha que tudo que estão fazendo tem a aprovação de Deus. Os cristãos estão “tomando emprestado” ou se “apropriando” de práticas de outras religiões numa afinidade promíscua com o inferno e suas táticas de destruição da crença. É triste var que muitas pessoas humildes estão sendo literalmente enganadas por esta corja de “mercenários da fé” sem serem incomodados ou questionados nas suas práticas delituosas no trato com a fé e com os sentimentos da população. O sensacionalismo barato, a exposição indecorosa de vidas privadas e a falsidade estão mutilando espiritualmente as pessoas incapacitando-as de pensar o de perceberem o engano a que estão sendo submetidas.
A minha oração é para que Deus levante homens segundo o seu coração, que tenham coragem bastante para combaterem estas atrocidades cometidas contra a fé de um povo que precisa conhecer de fato o que significa servir a Deus na sua profundidade. Que o culto seja de fato racional, de sacrifício vivo, santo e “agradável” a Deus.
“Tenha cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos deste mundo, e não segundo Cristo”
Colossenses 2 : 8
Colossenses 2 : 8
OLHO VIVO disse…
MILAGRE E MILAGRES
A PICARETAGEM RELIGIOSA
MILAGRE E MILAGRES
A PICARETAGEM RELIGIOSA
O primeiro ponto a observarmos nesta questão dos milagres é em que circunstâncias eles aconteceram? Invariavelmente todos os milagres descritos nas Escrituras foram resultados de momentos na vida daqueles que foram INSTRUMENTOS para que os mesmos acontecessem, inclusive Jesus. Em momento algum se propagou ou se divulgou, como se faz hoje, que este ou aquele ia passar ou estar em tal lugar e que em estando ali haveria sinais de curas e milagres, isto está muito claro nas Escrituras. Outra coisa é quer os homens de Deus, incluindo o próprio Jesus, eram muito reservados quanto a esta prática de curas e milagres, até porque sabia-se que isto poderia se transformar, como aconteceu de fato, numa industria e numa mina de dinheiro e de ESCÂNDALOS. Os milagres nos tempos apostólicos eram realizados através de pessoas SÓBRIAS e comprometidas com o Evangelho, que viviam em função dele EVANGELHO e não de patrocinar entidade, igrejas ou agremiações. Também não era usado para desmoralizar a concorrência ou para demonstração de poder ou de superioridade. Outro fato interessante é que os milagres não se resumiam a isto ou aquilo, curava-se enfermidades, restaurava-se o físico, mas tudo dentro de critérios que de fato pudessem dar sustentação aos acontecimentos. Assim, Jesus usou o lodo para dar vista ao cego, a água para transformá-la em vinho e até um morto para ser ressuscitado. Outro fato a considerar é que jamais um demônio foi se manifestar dentro de um templo, coisa que hoje é comum daí se imaginar que há algo errado nas igrejas uma vez que até nos terreiro a sua manifestação é rara. Eu poderia ir mais longe, mas fico por aqui.
Segundo, como precederam e como se deu depois de serem consumados? Invariavelmente todos os milagres relatados nas Escrituras precederam da necessidade da manifestação real do poder de Deus para que o povo pudesse crer naquilo que ouviam. Havia todo o cuidado para que aquilo não se transformasse em um espetáculo nem tão pouco a paciente fosse exposto ao ridículo como ocorre hoje. Na realidade hoje os curandeiros vivem de mostrar as suas proezas como forma de demonstrarem abertamente quem é o mais poderoso, qual a igreja contabiliza o maior numero de prodígios, qual a igreja tem o milagre mais cabeludo e vai por aí. A linha não muda, todos sem exceção, exploram com irracionalidade a boa fé do povo. Outra coisa é que os favorecidos por um milagre tinham a recomendação expressa de não fazerem qualquer propaganda daquilo que haviam recebido como graça de Deus. Mas o que se vê hoje é uma indústria de propagandas imoral que visa exclusivamente atrair o povo para ser extorquido dentro das igrejas. A questão fundamental que é a salvação da alma e a conscientização da condição de pecador foi abolida destas igrejas, se é que podemos classificá-las como tal, dando espaço para uma espiritualidade triunfalista baseada na irracionalidade de se procurar Deus pelo que ele pode oferecer e não pelo que ele é.
Creio em milagres sim, e sou um deles. Há tempos atrás, caí do telhado da igreja numa altura aproximada de 5,0 metros e para a medicina convencional eu seria parte das estatísticas, mas Deus não permitiu isto e depois de alguns dias ele me levantou do leito hospitalar, fato que deixou os médicos e os que me acompanhavam perplexos. Recentemente estive em um leito hospitalar, com septicemia, desenganado pela medicina aguardando somente o momento de partir, no entanto Deus agiu em meu favor e hoje estou aqui contrariando TODAS as previsões da medicina. Nem por isto eu fui para a minha igreja fazer propaganda do que ocorreu e mesmo assim a sociedade não deixou de saber que eu creio em um Deus que tudo pode.
O que há de fato é uma CONCORRÊNCIA IMORAL E IRRACINAL entre os que vivem desta prática absurda na intenção clara e declarada de promoverem o crescimento de seus grupos religiosos através da exploração da indústria dos milagres. Isto fica ainda mais evidente quando nos programas televisivos o tempo todo é gasto com propagandas de milagres e curas mal explicadas. Nenhum dos seguidores desta doutrina sequer mencionam o céu como objetivo do ser humano, pecado nem pensar o que evidencia que a salvação se resume a ser curado de uma doença qualquer e pronto.
Não encontramos na Bíblia ninguém gritando, dando ordem para Deus, ou fazendo milagres por atacado. Também não encontramos nenhum relato de servos de Deus afirmando que fez ou faz qualquer coisa, os fatos aconteciam naturalmente sem estardalhaço e sem propaganda.
Milagres hão de ser conseqüência e não objetivo na vida espiritual. Antes de qualquer coisa há de se preocupar com a alma e não com o físico, até porque este corpo vai para a sepultura e não para o céu.
Carlos Roberto Martins de Souza
crms1casa@hotmail.com
leu leutraix assina embaixo
Carlos Roberto Martins de Souza
crms1casa@hotmail.com
leu leutraix assina embaixo
Alexandre Mansur e Luciana Vicária
SUPERSTIÇÃO Oliveira participa de sessões
de descarrego quase toda semana. ‘A reza da
Universal é mais forte’, diz
Ainda que impressionem à primeira vista, os transes testemunhados nos templos e nas TVs da Igreja Universal recorrem a truques conhecidos. A começar por uma mensagem sedutora: o pastor diz que o fiel é uma boa pessoa e todo o mal que ele faz ou sofre é causado por um espírito maligno. Quem vive dramas insuperáveis se entrega facilmente à fantasia.
de descarrego quase toda semana. ‘A reza da
Universal é mais forte’, diz
Ainda que impressionem à primeira vista, os transes testemunhados nos templos e nas TVs da Igreja Universal recorrem a truques conhecidos. A começar por uma mensagem sedutora: o pastor diz que o fiel é uma boa pessoa e todo o mal que ele faz ou sofre é causado por um espírito maligno. Quem vive dramas insuperáveis se entrega facilmente à fantasia.
‘As pessoas são sugestionadas pela voz autoritária do pastor até atingirem uma espécie de estado hipnótico’, diz a psicóloga paulista Denise Ramos. A repetição das orações em voz alta, de olhos fechados, conhecida pela medicina como respiração holotrópica, produz um fenômeno de superoxigenação no cérebro. O resultado é um rebaixamento dos níveis de consciência. Quem está no meio de um agrupamento tomado pela euforia tende a se deixar contaminar pela emoção. Há um mecanismo do sistema límbico do cérebro, o mais básico da área nervosa, que induz a pessoa a se comportar segundo as atitudes da multidão que a cerca. ‘É por isso que choramos em comícios ao ouvir o Hino Nacional’, compara Denise Ramos.
A gritaria dos milhares de fiéis que participam das sessões de descarrego contagia quem está lá carregando conflitos psicológicos. ‘O povão não tem acesso à psicanálise. As pessoas procuram esses cultos populares para aplacar seu inferno interior’, diz o pastor Mozart Noronha, da Igreja Luterana do Brasil. Pastores e seus auxiliares, chamados de obreiros, aprendem a induzir o transe. ‘Quando a pessoa está tonta, fica mais aberta para manifestar os demônios’, diz a obreira Aparecida Santos, ex-fiel da Igreja Universal, atualmente na Igreja Internacional da Graça de Deus. Ela ä costuma pôr a mão na cabeça dos fiéis e fazê-la rodar. Outro recurso que funciona é tocar músicas altas no teclado, com acordes bem tenebrosos. ‘Porque o demônio não gosta de silêncio’, explica a obreira. Aparecida aprendeu as técnicas do exorcismo na Universal, onde passou cinco anos como auxiliar de pastores. Está convencida de que as cenas na igreja são manifestações reais de entidades do mal. ‘O diabo está lá mesmo’, afirma. Só discorda dos métodos de sua ex-igreja. ‘A Universal expõe muito a privacidade da pessoa.’ Nos cultos dos quais participa hoje, Aparecida identifica quem está possesso e o encaminha a um canto da igreja.
A Igreja Católica vê as aparições de diabos e semelhantes nos cultos neopentecostais como fraude grosseira. ‘É como se fosse um show em que os pastores exibem o diabo subjugado como se fosse um animal na jaula’, diz o padre Cleodon de Lima, de 36 anos. ‘Se a intenção fosse curar a pessoa, não precisaria mantê-la tanto tempo diante da platéia, sendo ridicularizada.’ Até o século XIX, crises histéricas ou casos de dupla personalidade eram interpretados por padres católicos como possessões demoníacas. Com o avanço da ciência, varreu-se o obscurantismo. Na década de 60, o Concílio Vaticano II decretou que apenas alguns sacerdotes, nomeados pela Igreja, poderiam expulsar demônios. Para regulamentar os rituais quase clandestinos, o papa lançou em 2000 um manual oficial de exorcismo. Fez questão de destacar que casos suspeitos devem ser encaminhados primeiro a um psiquiatra.
O MISSIONÁRIO Presente em quatro canais da
TVaberta, R.R. Soares evitamostrar exorcismos.
Seus programas sãomaisleves, com pregações
e depoimentos
O MISSIONÁRIO Presente em quatro canais da
TVaberta, R.R. Soares evitamostrar exorcismos.
Seus programas sãomaisleves, com pregações
e depoimentos
As igrejas evangélicas tradicionais se constrangem com o espetáculo das neopentecostais. ‘A mesma cultura do medo que enche os filmes de terror no cinema também funciona para lotar as igrejas’, compara o pastor luterano Mozart. Os religiosos criticam a obsessão da Universal pelos atos do demônio e a acusam de deixar Deus em segundo plano. ‘A Bíblia diz que Jesus até expulsou alguns demônios, mas nunca fez disso seu ministério’, afirma o pastor Israel Belo de Azevedo, reitor do Seminário Teológico Batista. Muitos evangélicos tampouco acreditam que a presença satânica seja corriqueira como prega a Universal. ‘O diabo não fica roubando o marido de umas pessoas ou o emprego de outras’, ironiza o pastor Ariovaldo Ramos, da Associação Evangélica Brasileira. Boa parte dos freqüentadores da Universal já recorreu a tendas de umbanda ou centros espíritas, onde conheceu o mundo dos transes e das incorporações. Curiosamente, a Universal buscou inspiração nas religiões afro-brasileiras para apimentar seus cultos. Edir Macedo, que foi umbandista, adaptou os rituais do terreiro. Os gestos no descarrego copiam a coreografia dos incorporados em tendas. Os demônios que os pastores combatem e exorcizam confundem-se com as entidades da umbanda, como Zé Pelintra, Pomba-Gira ou Tranca-Ruas. Os objetos mágicos oferecidos também foram retirados dos terreiros (leia o quadro na pág. 74). Arruda com sal grosso são usados para espantar mau-olhado. Alguns pastores adotam o branco, reproduzindo a vestimenta dos pais-de-santo. ‘São elementos estranhos ao cristianismo’, diz o pesquisador Leonildo Campos, da Universidade Metodista de São Paulo. ‘A Universal se aproximou tanto da umbanda que precisa mover uma cruzada contra as religiões afro-brasileiras para se diferenciar’, afirma. Mesmo para quem freqüenta os terreiros, a apropriação é esdrúxula. ‘Em vez de afastar os demônios, a encenação acaba atraindo-os’, acredita a terapeuta holística Joelma Rodrigues, de 33 anos, que até os 12 era fiel da Assembléia de Deus e hoje é umbandista.
O teatro da possessão demoníaca é eficiente também porque é divertido. O paulistano Eduardo Oliveira, de 28 anos, tornou-se figura conhecida no palco da Catedral da Fé, megatemplo da Igreja Universal. Incorpora encostos e demônios quase toda semana. ‘Não tenho culpa, sou mais sensível que os outros e me entrego com mais facilidade’, explica. Oliveira foi batizado na Igreja Católica. Há pouco mais de um ano, abalado pela perda do emprego e pelo fim de um antigo namoro, foi atraído por um programa de TV da Igreja Universal. ‘Já experimentei outras ä igrejas, mas, em matéria de libertação, não existe melhor que a Universal: a reza é forte e específica.’ Oliveira fecha os olhos, une e aperta as mãos contra o peito. Começa a rezar em voz alta. Um obreiro atento aos fiéis mais exaltados se aproxima. ‘Eu ordeno, se manifeste’, diz o obreiro, fazendo movimentos circulares com a cabeça do fiel. Oliveira se joga no chão e começa a se debater. ‘Minha perna fica bamba, meus braços amolecem, quando dou por mim estou no altar’, diz.
O teatro da possessão demoníaca é eficiente também porque é divertido. O paulistano Eduardo Oliveira, de 28 anos, tornou-se figura conhecida no palco da Catedral da Fé, megatemplo da Igreja Universal. Incorpora encostos e demônios quase toda semana. ‘Não tenho culpa, sou mais sensível que os outros e me entrego com mais facilidade’, explica. Oliveira foi batizado na Igreja Católica. Há pouco mais de um ano, abalado pela perda do emprego e pelo fim de um antigo namoro, foi atraído por um programa de TV da Igreja Universal. ‘Já experimentei outras ä igrejas, mas, em matéria de libertação, não existe melhor que a Universal: a reza é forte e específica.’ Oliveira fecha os olhos, une e aperta as mãos contra o peito. Começa a rezar em voz alta. Um obreiro atento aos fiéis mais exaltados se aproxima. ‘Eu ordeno, se manifeste’, diz o obreiro, fazendo movimentos circulares com a cabeça do fiel. Oliveira se joga no chão e começa a se debater. ‘Minha perna fica bamba, meus braços amolecem, quando dou por mim estou no altar’, diz.
Na guerra aos encostos, os pastores da Universal pegam carona no trabalho catequizador da própria Igreja Católica brasileira, que durante séculos trabalhou para associar as religiões africanas trazidas pelos escravos a práticas abomináveis de magia negra. Agora isso está enraizado no imaginário popular nacional, que tem uma relação ambígua com essas tradições africanas. Ao apelar para essa velha briga, Edir Macedo retoma a retórica dos anos 70, quando fundou sua igreja. É um reposicionamento do líder neopentecostal desde a malsucedida empreitada contra os católicos, na década de 90. Quando o bispo Sérgio Von Helde, da Universal, chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, em 1995, as críticas vieram dos próprios fiéis de Macedo. Afinal, 70% deles convivem bem com o catolicismo, segundo uma pesquisa do Iser. O mesmo estudo mostra que 90% dos pentecostais associam as religiões afro-brasileiras ao demônio. ‘Vemos um exército evangélico atacando de forma sistemática comunidades afro-brasileiras, que nem têm como se defender’, aponta a pesquisadora Mariza Soares, da Universidade Federal Fluminense.
EXPOSIÇÃO Os fiéis não podem ser
ridicularizados, diz o padre Cleodon,
ex-evangélico
ridicularizados, diz o padre Cleodon,
ex-evangélico
O apelo do demônio é forte porque atende a uma grande camada da população que vive imersa em superstições. O neopentecostalismo se desenvolve nos extratos mais pobres da população. Pesquisas revelam que um terço dos fiéis sobrevive com menos de dois salários mínimos, 68% não passaram do ensino fundamental e um em cada dez é analfabeto. Em geral, acreditam em magia negra e forças ocultas. ‘O povo acha que o demônio está por aí, agindo através dos incautos’, diz a antropóloga Regina Novaes, do Iser.
Jogar a culpa por tudo que há de errado no demônio é uma solução confortável para quem busca alívio nos cultos. As conseqüências podem ser perigosas. ‘A pessoa sai da igreja acreditando que não tem responsabilidade moral pelos erros que comete’, diz o pastor evangélico Ariovaldo Ramos. O crente também fica convencido de que possui uma personalidade frágil e influenciável. ‘Ele está pronto para ser manipulado por qualquer líder espiritual que se apresente como solução. Escapa dos vícios para virar escravo desses pregadores’, acusa.
O TEATRO DA POSSESSÃO
Como os pastores empregam técnicas e truques para induzir o fiel a entrar em transe nas sessões de exorcismo
Como os pastores empregam técnicas e truques para induzir o fiel a entrar em transe nas sessões de exorcismo
TRILHA SONORA
O tecladista executa melodias leves nos momentos de alusão a bênçãos divinas. Mas, quando o pastor menciona as ações do demônio e de espíritos malignos, ouve-se uma sucessão de acordes pesados, que lembram filmes de terror
O tecladista executa melodias leves nos momentos de alusão a bênçãos divinas. Mas, quando o pastor menciona as ações do demônio e de espíritos malignos, ouve-se uma sucessão de acordes pesados, que lembram filmes de terror
ILUMINAÇÃO
Em alguns cultos realizados à noite, os pastores apagam as luzes principais da igreja. Envoltos na penumbra, os fiéis ficam mais sugestionáveis. Os pastores também pedem às pessoas que fechem os olhos
Em alguns cultos realizados à noite, os pastores apagam as luzes principais da igreja. Envoltos na penumbra, os fiéis ficam mais sugestionáveis. Os pastores também pedem às pessoas que fechem os olhos
ROTEIRO
Para evocar os demônios, os pastores fazem orações repetitivas. A mente humana tende a aceitar como verdadeiras as frases proferidas sucessivamente, em tom de autoridade e num ambiente emocional
Para evocar os demônios, os pastores fazem orações repetitivas. A mente humana tende a aceitar como verdadeiras as frases proferidas sucessivamente, em tom de autoridade e num ambiente emocional
COREOGRAFIA
Os obreiros apertam e balançam a cabeça ou o corpo do fiel em movimentos circulares. A tontura e a falta de apoio no chão são fatores que induzem o transe
Os obreiros apertam e balançam a cabeça ou o corpo do fiel em movimentos circulares. A tontura e a falta de apoio no chão são fatores que induzem o transe
FIGURAÇÃO
O burburinho das pessoas rezando e gritando rebaixa os níveis de consciência de fiéis suscetíveis. Quem está no meio de uma multidão é influenciado pelas emoções dos indivíduos ao redor
O burburinho das pessoas rezando e gritando rebaixa os níveis de consciência de fiéis suscetíveis. Quem está no meio de uma multidão é influenciado pelas emoções dos indivíduos ao redor
ADEREÇOS
As igrejas usam símbolos que tocam as emoções dos fiéis. Os pastores incentivam-nos a trazer objetos de valor emotivo como fotografias de parentes, currículos impressos e carteira de trabalho para ser abençoados
As igrejas usam símbolos que tocam as emoções dos fiéis. Os pastores incentivam-nos a trazer objetos de valor emotivo como fotografias de parentes, currículos impressos e carteira de trabalho para ser abençoados
SONOPLASTIA
Em algumas igrejas, junto com a música, são reproduzidas gravações de gritos e sons de assombração. Esses ruídos estimulam o inconsciente das pessoas em transe a considerar real aquela manifestação
Objetos mágicos que embalam as ‘sessões de descarrego’
Em algumas igrejas, junto com a música, são reproduzidas gravações de gritos e sons de assombração. Esses ruídos estimulam o inconsciente das pessoas em transe a considerar real aquela manifestação
Objetos mágicos que embalam as ‘sessões de descarrego’
Para apimentar os cultos de exorcismo, os pastores da Universal distribuem objetos com supostos poderes. Para consegui-los, o fiel vai ao altar e promete fazer ofertas generosas.
PEDRAS Não é só com reza que se atacam encostos. Os fiéis recebem pedras para jogar em Golias, boneco gigante que ocupa o altar da Catedral da Fé, em São Paulo
LIMPEZA Sabonete de arruda é a promessa do pastor para livrar o corpo de impurezas. O suvenir é distribuído no ritual de descarrego
ÓLEO O frasco com azeite bento é agitado para afastar ‘maus-olhados’
PROTEÇÃO O sal, que vem em pratos plásticos, é usado para ‘purificar’ o local de trabalho e o lar
DÍZIMO Fiéis pegam o envelope vazio e têm de devolvê-lo cheio na semana seguinte. Exigem-se pelo menos R$ 30 por mês
Alexandre Mansur e Luciana Vicária
PEDRAS Não é só com reza que se atacam encostos. Os fiéis recebem pedras para jogar em Golias, boneco gigante que ocupa o altar da Catedral da Fé, em São Paulo
LIMPEZA Sabonete de arruda é a promessa do pastor para livrar o corpo de impurezas. O suvenir é distribuído no ritual de descarrego
ÓLEO O frasco com azeite bento é agitado para afastar ‘maus-olhados’
PROTEÇÃO O sal, que vem em pratos plásticos, é usado para ‘purificar’ o local de trabalho e o lar
DÍZIMO Fiéis pegam o envelope vazio e têm de devolvê-lo cheio na semana seguinte. Exigem-se pelo menos R$ 30 por mês
Alexandre Mansur e Luciana Vicária
Como a psicanálise e a antropologia desvendaram os mecanismos que alimentam as possessões
Transes religiosos são registrados desde a Grécia antiga, quando sacerdotisas diziam receber espíritos em rituais inspirados por música e vinho. Mas essas manifestações só começaram a ser desvendadas pela ciência no fim do século XIX, com o surgimento dos primeiros estudos em psicologia. Em 1862, o neurologista francês Jean-Martin Charcot (1825-1893) instalou-se no Hospital Salpêtrière, em Paris, convencido de que as visões de espíritos vivenciadas por alguns pacientes eram causadas por males do sistema nervoso. Para tratá-los, aperfeiçoou a técnica de induzir a pessoa ao estado de transe por meio de hipnose. Os recursos empregados, baseados na repetição de luzes ou sons, desmontaram a aura sobrenatural que cercava as possessões. Um de seus alunos, Sigmund Freud, também se interessou pela hipnose. Mas foi o suíço Carl Jung quem se dedicou a teorizar de onde vêm os ‘maus espíritos’ que atormentam as pessoas. Segundo ele, essas figuras aterrorizantes são imagens gravadas coletivamente na mente humana. Batizados de arquétipos, acompanham a humanidade há milhares de anos. ‘O diabo, que os fiéis da Universal acreditam incorporar, é uma dessas imagens e representa forças destrutivas dentro da própria pessoa’, diz a psicanalista Aurea Roitman. ‘Já o chifre e o rabo são adereços acrescentados pelo imaginário cristão.’
Enquanto os fundadores da psicologia descreveram como se induz um transe, foram os antropólogos que teorizaram sobre a função das possessões e dos exorcismos. Os missionários religiosos e médicos que viajaram para a África ou investigaram territórios dominados pelos índios nas Américas ficaram fascinados pelas cerimônias dirigidas para que alguns participantes recebessem os espíritos. A partir dessas narrativas, o filósofo francês Emile Durkheim (1858-1917), um dos fundadores da sociologia, foi um dos primeiros a teorizar sobre a função dos transes. Analisou em 1912 o papel do descarrego primitivo para garantir a unidade da tribo. ‘Os exorcismos têm a função de provar a existência de um agente sobrenatural capaz de punir os delinqüentes, por mais poderosos que sejam’, explica o antropólogo Scott Atran, da Universida
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